segunda-feira, 10 de novembro de 2014
O Poço do Fim
Sempre que acho que o fim está próximo me aproximo cada vez mais do fundo.
O Fundo do Poço nem sempre é o fim, ou sua proximidade, todo poço possui um fundo de terra, onde conseguimos cavar com nossa inquietação.
Andando de um lado para o outro, vou me afundando cada vez mais, sentindo a terra molhada preencher meus dedos nus cobertos por uma casca de um tênis desintegrado; e as paredes de pedra viram terra, vou me afogando lentamente na água que eu mesmo cavo e ajudo a preencher com minhas lágrimas.
"O Que foi, Lassie, o pequeno Jimmy caiu no poço?", nem Lassie poderia me salvar de mim mesmo, e o poço fica mais fundo.
No fundo do poço encontro as sombras de mim mesmo, encontro cada uma de minhas fases em que achei que estava no fundo, e passo por eles como se fosse um carro em uma auto-estrada, em uma velocidade terminal supersônica.
Nem mesmo as sombras cadavéricas de mim mesmo poderia me ajudar na escalada, o poço sem fim do fundo do poço se alongava e se alongaria para a eternidade, ou até que minhas lágrimas sejam o suficiente para saciar toda a sede da humanidade, tal como Atlas segurando o peso do mundo nas costas, sinto o peso do meu próprio mundo sedendo meus joelhos e me forçando a ajoelhar, pedir perdão e desistir.
Sinto o cheiro da terra e ouço o eco da água, já não consigo ver a borda, me sento no fundo esperando que seja o fundo do poço, mas a terra sede sobre mim e sinto, é o fim do poço.
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