A falta que você faz na minha cama é cada vez mais perceptível, ao me revirar por não conseguir dormir, procuro o seu corpo para me dar conforto em mais uma noite. Ao ver que você não está, volto a me revirar, encarando a parede do lado contrário do seu, só para tentar esquecer novamente a falta que sinto de você.
O cheiro do seu perfume ainda está no travesseiro, que me recuso a lavar. Horas ainda acho seu cabelo na pia do meu banheiro, um fio solitário pendurado ao lado da torneira, e ali permanecerá se depender de mim. A marca do seu corpo está no colchão, ainda que raso, ainda consigo sentir sua silhueta se passar a mão com atenção o suficiente, como um cego lendo o braile das suas cartas de amor.
As noites mal dormidas me fazem te ver a cada virada de olho em uma esquina, em cada olho bem pintado, em estranhos na rua, me lembro dos seus olhos de cigana. A cada linha de um livro de Caio Fernando Abreu lembro das suas palavras, e a cada cigarro, lembro quando me pedia um trago, me devolvendo ele pela metade com a marca do seu batom.
Me revirei de novo na cama, olhei o relógio, 4:45, abracei o seu travesseiro como toda noite, e pude sentir seu cheiro. O aroma doce do seu shampoo me acalmou, o cítrico do seu perfume me despertou lembranças e imaginei seu toque enquanto abraçava o travesseiro.
Uma única lágrima escorreu do meu olho, sentindo a sua falta, não sei quando voltará, mas seu travesseiro estará lhe esperando, assim como meu peito, para que possa descansar seus pensamentos e transcender seus sonhos.
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
Telefonema
Liguei só pra ouvir sua voz, nada mais que isso. Sua voz doce que os anjos tem inveja. Sua voz que acalma meus nervos, e espanta minhas dúvidas. Sua voz que embala meu sono e que desperta fantasias antes adormecidas. Fantasias de você falando ao pé do meu ouvido que me ama, de me gritar para assistir a cena de um filme na TV, de brigar comigo por deixar o prato sujo na pia. Fantasias mundanas de casais.
Eu não tinha o que falar, só queria ouvir a sua voz. Você tinha muito a falar, e eu só queria escutar. Seu monólogo sobre o seu dia fez parte do meu, e por isso ele foi feliz. Imaginei você ao meu lado, falando, e eu observando como seus lábios vermelhos se moviam, e como as suas cordas vocais transmitiam som tão encantador. Uma voz tão poderosa em um corpo tão sereno. Sua voz casa com sua personalidade, e sua personalidade é o que faltava em minha vida.
Liguei só para ouvir a sua voz, e para saber como você estava, mas o mais importante, para dizer o quanto eu te amava.
Eu não tinha o que falar, só queria ouvir a sua voz. Você tinha muito a falar, e eu só queria escutar. Seu monólogo sobre o seu dia fez parte do meu, e por isso ele foi feliz. Imaginei você ao meu lado, falando, e eu observando como seus lábios vermelhos se moviam, e como as suas cordas vocais transmitiam som tão encantador. Uma voz tão poderosa em um corpo tão sereno. Sua voz casa com sua personalidade, e sua personalidade é o que faltava em minha vida.
Liguei só para ouvir a sua voz, e para saber como você estava, mas o mais importante, para dizer o quanto eu te amava.
domingo, 9 de fevereiro de 2014
Nua
Chamou-me a meia noite, não disse uma palavra e me beijou. Senti o gosto salgado das lágrimas em seus lábios quando sua língua foi de encontro a minha, aquele beijo choroso, moroso e despretensioso demonstrava seus verdadeiros sentimentos.
Jogou-me à cama e ajoelhou-se na minha frente, colocou a cabeça em meu colo e despiu-se. Despiu-se emocionalmente.
As lágrimas de seus olhos negros o deixavam ainda maiores, a maquiagem borrada exibia a dor que ela sentia, a cada palavra emocionada, sentia ela partir um pouco de meu alcance. Entendi suas angústias, entendi seus medos e partilhei suas dúvidas, beijou-me a mão enquanto eu enxugava suas lágrimas e acariciava seu rosto com ternura. Em meu colo ela cometeu suicídio emocional e a bala ricocheteou em meu coração de pedra, o fazendo sangrar um pouco.
Revelei a ela meus sentimentos, as lágrimas pararam de escorrer enquanto sangrava pela ferida em meu peito, espirrando emoções e expondo minha fragilidade que, com esforço, consegui controlar.
Aquele beijo amoleceu meu coração, sua ruptura emocional enfraqueceu a minha alma, e aquele tiro certeiro do cupido, fez meu coração, eternamente seu.
Jogou-me à cama e ajoelhou-se na minha frente, colocou a cabeça em meu colo e despiu-se. Despiu-se emocionalmente.
As lágrimas de seus olhos negros o deixavam ainda maiores, a maquiagem borrada exibia a dor que ela sentia, a cada palavra emocionada, sentia ela partir um pouco de meu alcance. Entendi suas angústias, entendi seus medos e partilhei suas dúvidas, beijou-me a mão enquanto eu enxugava suas lágrimas e acariciava seu rosto com ternura. Em meu colo ela cometeu suicídio emocional e a bala ricocheteou em meu coração de pedra, o fazendo sangrar um pouco.
Revelei a ela meus sentimentos, as lágrimas pararam de escorrer enquanto sangrava pela ferida em meu peito, espirrando emoções e expondo minha fragilidade que, com esforço, consegui controlar.
Aquele beijo amoleceu meu coração, sua ruptura emocional enfraqueceu a minha alma, e aquele tiro certeiro do cupido, fez meu coração, eternamente seu.
Vozerio
Minha voz falhou ao ouvir a sua, minhas pernas estremeceram quando você disse "alô" e meu coração disparou quando tentei responder. Minha voz falhou ao tentar falar qualquer coisa, a minha mente ficou branca, eu esqueci como se falava, esqueci como se escrevia, eu esqueci de tudo, menos de você.
Sua voz preenchia minha mente, ecoando a doce melodia dos anjos. O roteiro escrito em minha mente foi jogada fora quando sua voz encontrou meus ouvidos, perdi meu chão e ganhei o céu.
Imaginei seus lábios se movendo, imaginei se seu coração disparara como o meu, casei sua voz a seu lindo rosto, e o casamento perfeito aconteceu.
Fiquei alguns milésimos de segundo encarando minha parede, enquanto tudo isso passava pela minha cabeça, finalmente respondi.
Ficamos 30 minutos no telefone, não queria desligar, mas precisávamos dormir.
Sonhei com a voz dela aquela noite, nunca dormi tão bem na minha vida.
Sua voz preenchia minha mente, ecoando a doce melodia dos anjos. O roteiro escrito em minha mente foi jogada fora quando sua voz encontrou meus ouvidos, perdi meu chão e ganhei o céu.
Imaginei seus lábios se movendo, imaginei se seu coração disparara como o meu, casei sua voz a seu lindo rosto, e o casamento perfeito aconteceu.
Fiquei alguns milésimos de segundo encarando minha parede, enquanto tudo isso passava pela minha cabeça, finalmente respondi.
Ficamos 30 minutos no telefone, não queria desligar, mas precisávamos dormir.
Sonhei com a voz dela aquela noite, nunca dormi tão bem na minha vida.
sábado, 8 de fevereiro de 2014
Ciúmes
Todo amor correspondido é lindo, todo sentimento puro existe uma marca negra, no caso do amor é o ciúmes, o sentimento de que aquele amor não seja o suficiente para a outar pessoa, e a cada partícula de ciúmes adicionada, ocupa um espaço reservado para o amor.
Nosso amor ainda é pequeno, é embrionário e irá crescer, a relação de Yin e Yang do amor é um balanço frágil de ser alcançado, e ainda mais frágil para ser destruído.
Nossa simbiose emocional começa compartilhando o nosso amor e esquecendo nossos ciúmes, meu amor é o suficiente para calar minhas dúvidas, é o suficiente para esquecer o que sofri e tudo graças a você.
Meu coração partido foi remendado pelo seu sorriso, meu espírito estilhaçado foi revitalizado pelo seu abraço e minha mente desiludida desafiada pelas suas palavras. O futuro duvidoso que nos aguarda me enche de medo e ansiedade pelo desconhecido, e estar ao seu lado me dá coragem, segurar sua mão me dá confiança e consigo enxergar o caminho mais afrente.
Existem pedras no caminho, existem espinhos ao lado da estrada, mas um lago sereno e pacífico em seu final. Me dê sua mão, e vamos prosseguir juntos a paz de um lago.
Nosso amor ainda é pequeno, é embrionário e irá crescer, a relação de Yin e Yang do amor é um balanço frágil de ser alcançado, e ainda mais frágil para ser destruído.
Nossa simbiose emocional começa compartilhando o nosso amor e esquecendo nossos ciúmes, meu amor é o suficiente para calar minhas dúvidas, é o suficiente para esquecer o que sofri e tudo graças a você.
Meu coração partido foi remendado pelo seu sorriso, meu espírito estilhaçado foi revitalizado pelo seu abraço e minha mente desiludida desafiada pelas suas palavras. O futuro duvidoso que nos aguarda me enche de medo e ansiedade pelo desconhecido, e estar ao seu lado me dá coragem, segurar sua mão me dá confiança e consigo enxergar o caminho mais afrente.
Existem pedras no caminho, existem espinhos ao lado da estrada, mas um lago sereno e pacífico em seu final. Me dê sua mão, e vamos prosseguir juntos a paz de um lago.
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
Dom Quixote.
Avante nobre matador de dragões!
A cada moinho de sanidade estilhaçado pela sua lança imaginativa encaro o mundo com outros olhos, a cada dedicatória para a mais bela das princesas imagino minha amada, e a cada lamento de seu fiel amigo vejo como até seus melhores amigos podem te prender ao chão.
Oh, Quixote de la Mancha, não deixe nunca que seus pés fiquem presos no chão ou que cortem as asas de sua imaginação, sois todos nós, imaginativos e inventivos, idealizadores e realizadores. Não há dragões que não possamos vencer, sejam eles moinhos de vento, ou metáforas de nossos piores medos.
A cada moinho de sanidade estilhaçado pela sua lança imaginativa encaro o mundo com outros olhos, a cada dedicatória para a mais bela das princesas imagino minha amada, e a cada lamento de seu fiel amigo vejo como até seus melhores amigos podem te prender ao chão.
Oh, Quixote de la Mancha, não deixe nunca que seus pés fiquem presos no chão ou que cortem as asas de sua imaginação, sois todos nós, imaginativos e inventivos, idealizadores e realizadores. Não há dragões que não possamos vencer, sejam eles moinhos de vento, ou metáforas de nossos piores medos.
Lamúria
O travesseiro encharcado de minhas lágrimas molhava meus cabelos, a minha barba por fazer demonstravam minha apatia para com o mundo e tudo isso foi por sua causa.
Jurei meu amor, jurei pra toda a vida, e você o rejeitou. Não adiantava mais, eu já o tinha comprometido. Doei-o todo pra você, e você o jogou fora. A cada gota salinizada que era derramada de meus olhos e morria em minha boca seca, sentia o gosto do seu fel misturado com a lembrança dos seus lábios doces.
A cada espasmo involuntário do meu coração, me lembro de como você o arrancou de meu peito e esfregou-o em minha face, não importava minha doação, tudo para você era irrelevante. Meus sacrifícios foram em vão.
Meus lamentos e lamúrias se perdem abafados pelo som da nossa música, e, a cada passo que dou em direção contrária a minha cama, sinto menos o seu cheiro. Agora fico abraçado com seu travesseiro para não perder-te de vista.
Jurei meu amor, jurei pra toda a vida, e você o rejeitou. Não adiantava mais, eu já o tinha comprometido. Doei-o todo pra você, e você o jogou fora. A cada gota salinizada que era derramada de meus olhos e morria em minha boca seca, sentia o gosto do seu fel misturado com a lembrança dos seus lábios doces.
A cada espasmo involuntário do meu coração, me lembro de como você o arrancou de meu peito e esfregou-o em minha face, não importava minha doação, tudo para você era irrelevante. Meus sacrifícios foram em vão.
Meus lamentos e lamúrias se perdem abafados pelo som da nossa música, e, a cada passo que dou em direção contrária a minha cama, sinto menos o seu cheiro. Agora fico abraçado com seu travesseiro para não perder-te de vista.
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
Ajuda.
Acordei sem querer acordar, queria ficar no vazio da minha mente por toda a eternidade, as drogas que tomei na noite anterior não foram o suficiente para me deixar dormir, e não quero mais ficar acordado. Não sinto fome, não sinto sede, não sinto mais nada. Sinto meus membros entorpecidos, mas minha mente ainda ativa, meus olhos se mexiam, mas meus lábios não. Tentei falar, não consegui. Tentei me mover, não consegui. Acordei em um caixão.
Vi meu funeral, com o medo de ser enterrado vivo, revivi todos os meus pesadelos mais vívidos, a morte não veio personificada de um ceifador, como os filmes me sugeriam, veio personificado do rosto inchado de minha mãe. Aquela cena me deixou extremamente perturbado, tentei gritar, avisar que estava vivo, avisar que meu coração ainda batia.
Era tarde demais. Eu não estava mais vivo, minha alma estava vendo meu enterro, a morte, e sua verdadeira face, estavam do meu lado. Era uma face bela, a mais bela que eu poderia imaginar, talvez fosse esse o conforto da morte, ver a verdadeira beleza do mundo antes de ir para sempre.
Vi meu funeral, com o medo de ser enterrado vivo, revivi todos os meus pesadelos mais vívidos, a morte não veio personificada de um ceifador, como os filmes me sugeriam, veio personificado do rosto inchado de minha mãe. Aquela cena me deixou extremamente perturbado, tentei gritar, avisar que estava vivo, avisar que meu coração ainda batia.
Era tarde demais. Eu não estava mais vivo, minha alma estava vendo meu enterro, a morte, e sua verdadeira face, estavam do meu lado. Era uma face bela, a mais bela que eu poderia imaginar, talvez fosse esse o conforto da morte, ver a verdadeira beleza do mundo antes de ir para sempre.
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
Liberdade
Senti
a respiração ofegante dela em meu peito, os cabelos engrenhados estavam
colados em suas costas suadas e por todo o meu corpo, marcado pelas
suas unhas.
Um último suspiro de desejo escapou de seus lábios antes dela dormir, fiquei observando seu peito nu, de encontro ao meu, se movimentar a cada respiração, ficando cada vez mais leve e serena, sua coxa entrelaçada a minha, revelava uma tatuagem da Frida Kahlo, e eu me lembrava que a mulher que estava em meus braços era uma mulher de personalidade.
As marcas de unhas deixada em minhas costas sangravam a cada batida, e me faziam lembrar dos momentos anteriores, vi a marca do seu batom em minha mão, olhei para seus lábios e percebi que todo o batom que estava ali agora está espalhado pelo meu corpo, manchados pelo suor de nossos corpos.
Abracei-a com ternura, querendo manter seu calor sobre meu corpo, ela retribuiu o abraço acalmando meu coração e minha alma, beijei sua cabeça e dormi, sentindo suas coxas me abraçando.
Um último suspiro de desejo escapou de seus lábios antes dela dormir, fiquei observando seu peito nu, de encontro ao meu, se movimentar a cada respiração, ficando cada vez mais leve e serena, sua coxa entrelaçada a minha, revelava uma tatuagem da Frida Kahlo, e eu me lembrava que a mulher que estava em meus braços era uma mulher de personalidade.
As marcas de unhas deixada em minhas costas sangravam a cada batida, e me faziam lembrar dos momentos anteriores, vi a marca do seu batom em minha mão, olhei para seus lábios e percebi que todo o batom que estava ali agora está espalhado pelo meu corpo, manchados pelo suor de nossos corpos.
Abracei-a com ternura, querendo manter seu calor sobre meu corpo, ela retribuiu o abraço acalmando meu coração e minha alma, beijei sua cabeça e dormi, sentindo suas coxas me abraçando.
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
Incógnita
Os olhos confiantes demonstravam a certeza do que queria, o sorriso branco mostrava a esperança do futuro. O copo de cerveja na mão, meio vazio, exibia a marca de batom deixada na beirada. Fiquei encarado aqueles olhos meio puxados, emoldurados por um lápis preto bem feito, me lembrando a imagem de Cleópatra.
O mistério por trás do sorriso de Mona Lisa não é capaz de de se igualar ao mistério por trás daquele olhar, o brilho no canto direito de seu olho esquerdo me revela que existe algo a mais para ser explorado, o resto de colarinho que ficou em sua boca me deixou com inveja de estar tão próximo de seu doce e a marca de batom no copo ainda me fazia imaginar qual o seu gosto.
Ela repousou a mão sobre a mesa, revelando as unhas bem pintadas, coloquei minha mão sobre a dela e senti o toque de seda que aquelas pequenas mãos possuíam, não queria larga-las, não queria deixar de sentir a pele dela em contato com a minha, o calor que ela possuía acalmava minhas mãos trêmulas de ansiedade. Ela virou a mão como se me convidasse para apertá-la, segurei-a com todo a delicadeza que minhas brutas mãos foram capazes, os dedos dela se fecharam sobre as costas de minha mão em um aperto seguro, e ela ainda sorria.
Prometi a mim mesmo jamais largar aquela mão, prometi a ela que a protegeria, prometi ao mundo que nada nos machucaria e prometi a todos os deuses egípcios que cobra alguma nos alcançaria.
O mistério por trás do sorriso de Mona Lisa não é capaz de de se igualar ao mistério por trás daquele olhar, o brilho no canto direito de seu olho esquerdo me revela que existe algo a mais para ser explorado, o resto de colarinho que ficou em sua boca me deixou com inveja de estar tão próximo de seu doce e a marca de batom no copo ainda me fazia imaginar qual o seu gosto.
Ela repousou a mão sobre a mesa, revelando as unhas bem pintadas, coloquei minha mão sobre a dela e senti o toque de seda que aquelas pequenas mãos possuíam, não queria larga-las, não queria deixar de sentir a pele dela em contato com a minha, o calor que ela possuía acalmava minhas mãos trêmulas de ansiedade. Ela virou a mão como se me convidasse para apertá-la, segurei-a com todo a delicadeza que minhas brutas mãos foram capazes, os dedos dela se fecharam sobre as costas de minha mão em um aperto seguro, e ela ainda sorria.
Prometi a mim mesmo jamais largar aquela mão, prometi a ela que a protegeria, prometi ao mundo que nada nos machucaria e prometi a todos os deuses egípcios que cobra alguma nos alcançaria.
domingo, 2 de fevereiro de 2014
Melancolia.
O blackout projetava pontos luminosos na parede do meu quarto, me lembrando as estrelas que tinha no teto do meu quarto durante minha infância, eu poderia jurar que ainda estava escuro do lado de fora, não queria olhar o relógio barulhento que estava ao lado do meu travesseiro. O barulho dos carros do lado de fora da minha janela me avisavam que não era tão cedo quanto gostaria que fosse.
Passei a noite em claro novamente, meus olhos estavam pesados e a cada piscada colavam por um segundo, antes de reabrirem em um esforço hercúleo. Minhas projeções mentais estavam cada vez mais vívidas, dando uma impressão nítida de ilusões. Os fantasmas que habitavam minha mente me assombravam pessoalmente. A cada passo que eu dava em direção a cozinha, via um espírito me assombrando, a cada olhar para o espelho me reconhecia menos. Minha barba engrenhada estava ainda mais espeça, meus cabelos estavam se alongando em um mullet, e minhas unhas estavam grandes e rachadas. Eu me reconhecia como mais um fantasma ilusório.
A geladeira estava vazia, exceto por dois tomates podres e uma garrafa d'água vazia, o congelador estava com uma camada espeça de gelo, suguei aquele gelo de gás carbônico com meus lábios, a queimadura causada por ele ardeu mais em minha alma do que em minha boca. Eu era mais um cadáver perambulando pelo cemitério do mundo. Minha forma cadavérica poderia ser confundida com a de um zumbi de Romero, e eu torcia para que um matador de zumbis invadisse minha porta para pôr fim a meu sofrimento.
Arrastei meus pés de volta para cama, o blackout já não projetava as luzes na parede. Quanto tempo perambulei sem sentido em meu apartamento de 50 metros quadrados? Será que dormi em pé novamente? Por que ainda me sentia tão cansado? Olhei uma foto antiga minha e não me reconheci, joguei o porta-retratos na parede com a frustração nítida de quem envelhecera, empurrei meu travesseiro para a borda da cama e deitei-me encarando o teto.
Os faróis dos carros projetavam uma linha luminosa cada vez que passavam, depois do 20º parei de contar e fiquei apreciando as formas que os fantasmas tomavam iluminados por esse novo fator. Minha perna começou a formigar, primeiro os dedos, depois o pé, subindo lentamente até o joelho como se um formigueiro estivesse sendo construído sobre meu corpo. Chegaram ao meu peito e senti minha respiração falhar, ao chegar no pescoço já estava prendendo a respiração, minha língua tornou-se azeda como leite podre e, ao chegar nos meus olhos me vi de cima. imóvel, com o peito parado, o coração ainda palpitava, fraco, mas ainda batia. Que ironia, nunca acreditei em alma e, ainda assim, eu estava me vendo. Ainda sentia meu coração bater no ritmo do relógio barulhento ao lado do travesseiro, a cada segundo uma batida, depois a cada três segundos, uma batida, até que não havia mais batidas.
Morri no meu apartamento do mesmo jeito que vivi. Sozinho e recluso. Morri no escuro, esperando o herói que iria por fim ao meu sofrimento. O herói era Hades, que me abraçava com seus braços e seu odor pútrido me levando para o tártaro.
Passei a noite em claro novamente, meus olhos estavam pesados e a cada piscada colavam por um segundo, antes de reabrirem em um esforço hercúleo. Minhas projeções mentais estavam cada vez mais vívidas, dando uma impressão nítida de ilusões. Os fantasmas que habitavam minha mente me assombravam pessoalmente. A cada passo que eu dava em direção a cozinha, via um espírito me assombrando, a cada olhar para o espelho me reconhecia menos. Minha barba engrenhada estava ainda mais espeça, meus cabelos estavam se alongando em um mullet, e minhas unhas estavam grandes e rachadas. Eu me reconhecia como mais um fantasma ilusório.
A geladeira estava vazia, exceto por dois tomates podres e uma garrafa d'água vazia, o congelador estava com uma camada espeça de gelo, suguei aquele gelo de gás carbônico com meus lábios, a queimadura causada por ele ardeu mais em minha alma do que em minha boca. Eu era mais um cadáver perambulando pelo cemitério do mundo. Minha forma cadavérica poderia ser confundida com a de um zumbi de Romero, e eu torcia para que um matador de zumbis invadisse minha porta para pôr fim a meu sofrimento.
Arrastei meus pés de volta para cama, o blackout já não projetava as luzes na parede. Quanto tempo perambulei sem sentido em meu apartamento de 50 metros quadrados? Será que dormi em pé novamente? Por que ainda me sentia tão cansado? Olhei uma foto antiga minha e não me reconheci, joguei o porta-retratos na parede com a frustração nítida de quem envelhecera, empurrei meu travesseiro para a borda da cama e deitei-me encarando o teto.
Os faróis dos carros projetavam uma linha luminosa cada vez que passavam, depois do 20º parei de contar e fiquei apreciando as formas que os fantasmas tomavam iluminados por esse novo fator. Minha perna começou a formigar, primeiro os dedos, depois o pé, subindo lentamente até o joelho como se um formigueiro estivesse sendo construído sobre meu corpo. Chegaram ao meu peito e senti minha respiração falhar, ao chegar no pescoço já estava prendendo a respiração, minha língua tornou-se azeda como leite podre e, ao chegar nos meus olhos me vi de cima. imóvel, com o peito parado, o coração ainda palpitava, fraco, mas ainda batia. Que ironia, nunca acreditei em alma e, ainda assim, eu estava me vendo. Ainda sentia meu coração bater no ritmo do relógio barulhento ao lado do travesseiro, a cada segundo uma batida, depois a cada três segundos, uma batida, até que não havia mais batidas.
Morri no meu apartamento do mesmo jeito que vivi. Sozinho e recluso. Morri no escuro, esperando o herói que iria por fim ao meu sofrimento. O herói era Hades, que me abraçava com seus braços e seu odor pútrido me levando para o tártaro.
sábado, 1 de fevereiro de 2014
Estranhos
Dois anos... Foi o tempo que ficamos juntos. Dois anos.
É difícil assumir que a pessoa mais especial para você durante dois anos agora é só mais um estranho dentre 7 bilhões no mundo. Onde foi que tudo deu errado? Onde foi que o amor acabou? Será que realmente acabou ou simplesmente ficamos acomodados com ele? A rotina sempre foi a mesma, será esse o problema? Essas perguntas ecoam a meses na minha cabeça.
Quanto tempo demorou para nos apaixonarmos? Será que foi o mesmo tempo para deixarmos de nos amar? Quando tudo começou foi o mesmo momento em que tudo começou a terminar. Não existe mais opções a não ser o fim. Tudo termina, inclusive esse texto.
É difícil assumir que a pessoa mais especial para você durante dois anos agora é só mais um estranho dentre 7 bilhões no mundo. Onde foi que tudo deu errado? Onde foi que o amor acabou? Será que realmente acabou ou simplesmente ficamos acomodados com ele? A rotina sempre foi a mesma, será esse o problema? Essas perguntas ecoam a meses na minha cabeça.
Quanto tempo demorou para nos apaixonarmos? Será que foi o mesmo tempo para deixarmos de nos amar? Quando tudo começou foi o mesmo momento em que tudo começou a terminar. Não existe mais opções a não ser o fim. Tudo termina, inclusive esse texto.
Primavera
As flores apareciam vagarosamente no meu jardim, as borboletas saiam de seus casulos e voavam de flor em flor. O cheiro de grama estava novamente presente no ar, o perfume que as rosas exalavam me faziam sonhar novamente com dias mais felizes.
A cada passo no jardim, descobria novas sensações, meus pés descalços recebiam com prazer as gramas por entre os dedos, e com surpresa cada pedra fora de posição. A terra, ainda molhada, ficava presa em meus calcanhares e, sem me importar, deixava minhas pegadas por entre canteiros.
Deitei-me à sombra de uma árvore, ao lado do rio, ouvi os pássaros cantando, festejando o fim da chuva, o rio batia nas pedras com violência, simulando o barulho de uma cachoeira, adormeci e sonhei com ela ao meu lado, deixando as pegadas ao lado das minhas e recebendo meu abraço sob a sombra desta árvore. Acordei esperançoso que a primavera a traria de volta pra mim.
A cada passo no jardim, descobria novas sensações, meus pés descalços recebiam com prazer as gramas por entre os dedos, e com surpresa cada pedra fora de posição. A terra, ainda molhada, ficava presa em meus calcanhares e, sem me importar, deixava minhas pegadas por entre canteiros.
Deitei-me à sombra de uma árvore, ao lado do rio, ouvi os pássaros cantando, festejando o fim da chuva, o rio batia nas pedras com violência, simulando o barulho de uma cachoeira, adormeci e sonhei com ela ao meu lado, deixando as pegadas ao lado das minhas e recebendo meu abraço sob a sombra desta árvore. Acordei esperançoso que a primavera a traria de volta pra mim.
O "Não"
- Não! - Ela me disse.
- Mas, por que?
- Por que eu não quero.
- Ah vai, só um pouquinho....
- Não. Para, tá machucando!
- Tá nada, deixa de ser fresca!
- Não é frescura, para, sério, ta me machucando, para!
- Tá bom, parei...
Sentei, ainda suado e ofegante, ela continuou deitada.
- Você é muito bruto - me disse.
- Eu? Você que estava pedindo!
- Tava nada. E eu te disse pra parar.
- Tá bom, da próxima vez, se alonga sozinha...
- Mas, por que?
- Por que eu não quero.
- Ah vai, só um pouquinho....
- Não. Para, tá machucando!
- Tá nada, deixa de ser fresca!
- Não é frescura, para, sério, ta me machucando, para!
- Tá bom, parei...
Sentei, ainda suado e ofegante, ela continuou deitada.
- Você é muito bruto - me disse.
- Eu? Você que estava pedindo!
- Tava nada. E eu te disse pra parar.
- Tá bom, da próxima vez, se alonga sozinha...
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