Olhou-se no espelho e não reconheceu a face que encarava, percebia as cicatrizes que manchavam o rosto e as marcas de queimadura ácida que tornavam sua face disforme em mais um emaranhado de carne do que o encarava. Cada cicatriz representava um erro que havia cometido, cada queimadura um amor que decepcionou, e hoje estava feio. Quis chorar, mas seus olhos não expressavam emoções. Quis gritar, mas sua boca fora soldada. Quis correr, mas a hipnose era tão forte que ficou paralisado com a feiura que o encarava de volta.
Lembrou-se de todas as vezes que decepcionou alguém. Lembrou-se da forma que tratava as pessoas. Lembrou-se que decepcionara todas as pessoas que passaram pela sua vida. Olhou para suas mãos e as viu normais, seus pés estavam do mesmo jeito, mas sua face ainda estava feia. Passou as mãos pelo rosto e não sentiu as marcas que a vida deixou em seu rosto, mas ainda as via no espelho.
Caiu de joelhos, com a mão no peito. Seu coração disparara e não havia mais ar em seus pulmões. O arrependimento fora tão grande que seu corpo não suportou. Morreu, sozinho como viveu. Triste como deixou muitos. Feio como sempre fora.
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