Fui dormir chorando, pensando nela, como muitas vezes esse
ano. Eu achei que estaríamos melhor cada um com sua vida, pelo menos ela parece
feliz...
Pego o telefone e vejo o número dela na minha agenda, quero
discar, mas não encontro as palavras para justificar minha ligação.
“Parabéns pela formatura”, era uma oportunidade que não
consegui encontrar a coragem de falar com ela, e a vontade de ouvir sua voz era
muito grande e eu não seguraria minhas lágrimas
“Feliz Natal”, eu daria tudo no mundo para ouvir ela dizer
isso pra mim.
E no ano novo tudo se intensifica, a vontade de tê-la em meus
braços em um abraço é insuportável, mas eu estraguei tudo. Deixei um ano
passar. E ela parece feliz, sem mim.
Triste destino de quem nasceu gostando de Shakespeare, viver
em uma comédia de erros, onde ninguém termina com quem se apaixonara. A
Maldição de Demétrio que amava Hérmia que amava Lisandro que a amava. Já fui
Lisandro, hoje sou Demétrio.
Chorei de saudades, chorei de amor, se minhas lágrimas
fossem pérolas, estaria rico. Se minhas lágrimas fossem de ácido, estaria cego.
E, mesmo assim, se ela voltasse, choraria tudo de novo.
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