quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Solidão

Na calada da noite eu busco o sentido de cada olhar
A cada sorriso falso, eu tento encontrar
Em uma garrafa de cerveja e um cigarro amassado
Um sentido para meu passado.

A noite se adensa a cada instante
Pairando sobre a cabeça o destino de cada amante
E a solidão de quem busca uma alma a compartilhar
E a cada gole, trago ou tapa, fica mais difícil encontrar.

Sem sentido para cada sorriso.
Nem a direção de cada olhar.
E no fim, vazio.
É como irei ficar.

Rio sozinho desesperançoso
Pois cada lágrima me deixa ansioso
que, no caminho a seguir
Irei, finalmente, parar de mentir

No Inicio eu existia
No meio eu meramente convivia
No presente simplesmente mentia.
E no futuro, não sei como seria.


Brinde

Levantou o copo de cerveja recém servida, o colarinho ainda se assentava quando as palavras começaram a sair de sua boca.

- Estamos aqui de novo. Mais um ano, mais uma mesa e mais uma porção de batatas. Todo ano fazemos a mesma coisa, pedimos 2 cervejas e uma batata e sentamos na mesma mesa, falamos sobre os mesmos assuntos e rimos das mesmas piadas. Temos a rotina de um casal juntos a 50 anos, que sabe exatamente a hora que o parceiro levanta para ir ao banheiro.

"Esse ano eu quero fazer diferente, quero começar nossa conversa com um assunto incômodo. A perda de uma pessoa em nossa mesa.

Todos se entreolharam, não sentindo a falta de ninguém.

- Sim, perdemos uma pessoa dessa mesa, nobres amigos, perdemos a mim.
"Todo ano venho até aqui e me sinto vazio, ouço vocês falando de mulheres, futebol e política como se fossem os maiores especialistas do mundo. Ouço e rio forçadamente das piadas idiotas de vocês para tentar fazer parte do grupo. A verdade, companheiros, é que não suporto olhar para a cara de vocês nem mais um segundo, e todo ano repetimos o mesmo ritual. Agora digo, não mais...

Despertou de seus devaneios quando a cerveja acabou de ser colocada no copo. Ouviu uma piada sobre política e riu forçadamente, desejou silenciosamente um brinde a sua hipocrisia.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Je T'aime

O doce das suas palavras encontravam os espinhos de meu coração. O músculo fossilizado que insistia em bater em meu peito recebia uma rachadura a cada suspiro dito e a cada grito abafando o grave das caixas de som.

Começou com um "gostei de você", evoluiu para um "te adoro" e, finalmente chegou no "te amo".

Não resisti a tamanho choque desfibrilizante em meu peito e aquela outrora pedra voltou a bater com força. Não achava as palavras pra responder aquela injeção de adrenalina em meu cérebro, todo meu sangue voltara a fluir deixando minha face rubra. Não havia mais tempo, então respondi.

-Eu sei.

domingo, 26 de janeiro de 2014

Vento no Litoral

Encaro o horizonte com olhos fixos na caravela vindo em direção à terra,
Ouço as ondas batendo no rochedo prevendo a turbulência que está por vir.
O som dos canhões disparados em alto-mar aceleravam meu coração.
O vento originado pelo movimento do mar balançavam meus cabelos
Minha nudez demonstrava meu comprometimento com a terra.
O invasor chegou, ancorando em meus portos de pesca,
Não entendi o que falavam,
Não entendiam o que falava.
Voltei para cima dos rochedos para sentir o vento novamente.
Um ultimo tiro de canhão não acelerou meu coração, senti um calor nas minhas costas,
Meu peito estava úmido e quente,
Não ouvi mais o som das ondas, só ouvi o meu coração parando.
O Sol amarelo se tornava vermelho e escuro.
Perdi minha terra junto com minha vida.

sábado, 25 de janeiro de 2014

Criatividade

Sentei sob a sombra de uma árvore à fim de pintar.
Sentei no banco da praça à fim de escrever.
Subi no palco à fim de cantar.
Não pintei.
Não escrevi.
Não cantei.
Peguei meu violão e dedilhei um quadro.
Peguei minha tela e cantei uma ópera.
E em uma página em branco encontrei o vazio.
Minha caneta sem tinta não mais expressava o que eu sentia.
Com a corda no pescoço, saltei do banco.
O clarão luminoso que se seguiu me despertou.
Olhei o sol invadindo minha janela e percebi,
Meu tinteiro estava cheio novamente.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Primeiro Encontro

Estava nervoso. Cheguei cedo para pegar uma mesa, e tentar me acalmar um pouco. A cada segundo eu olhava meu relógio preocupado com as horas. "Será que ela vai se atrasar?", "Cheguei cedo demais?", "Vai parecer que estou desesperado?", "E se ela não vier?". Minhas mãos tremiam de excitação. Comecei a mexer no meu celular, tentando disfarçar minha ansiedade, pensei em jogar alguma coisa, mas meus dedos não respondiam comandos. Fiquei navegando pelo Twitter tentando tirar minha mente daquela situação.

Pedi um chopp para relaxar. O caneco branco de gelo chegou no mesmo momento em que ela entrava pela porta, vestida de maneira despojada ela parecia ainda mais linda, a bermuda jeans e a camisa larga com uma alça caída sobre o ombro. Os cabelos soltos e a pouca maquiagem revelavam a perfeição em seu rosto.

Levantei, desajeitado, quase derrubando o garçom que estava à minha direita, ela riu enquanto eu pedia desculpas a ele, me abraçou e me deu um beijo na bochecha, pediu um chopp pra ela e se sentou ao meu lado.

Conversamos até o bar fechar, os garçons já estavam recolhendo as mesas, e pedimos o último chopp da noite. As 3 da manhã estava chamando um taxi para levá-la pra casa. Me despedi com um beijo na testa, quando ela abaixou o vidro, já estava meio tonto, e ela também. Nos divertimos e, no momento em que o taxi saiu da minha vista, liguei para ela.

- Eu só queria dizer que já estou com saudades.

Ela riu, e citou uma de nossas musicas favoritas.

- Por que você só me liga quando está bêbado?

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

I Seek You

5 minutos atrás.
 
Oi, tudo bem?

Oieee!
Tudo sim, e você?

Mais ou menos... :/

O que houve?

Ah, nada de mais, coisas do coração, sabe? rs

hihihihi
acho que sei.

E como você está? Como foi seu dia?

Ah, foi legal.
Minhas primas vieram aqui, ai animei de ir na
piscina com elas. E o seu?

Ah, trabalho, né?
O dia inteiro resolvendo problemas de código.

Ahhh, e qual o projeto supersecreto dessa vez? rs

hahahaha
Não é nada supersecreto não, é só um update...

Eu tô te sentindo muito tristinho :(
Me fala o que aconteceu.
Por favor......

Ah, nada não, eu acho que não tem muito o que fazer.eu

Ah, sempre tem o que se fazer.
Talvez eu possa te ajudar ;)

Não acho que possa...
Eu acho que não posso mais conversar com vc :'(

:O
Do que você tá falando?
O que eu fiz pra vc?

Você não fez nada, eu que não quero te magoar... :'(

Cara, me fala o que tá acontecendo!
Pelo amor de Deus!

Eu tenho que parar de falar com vc porque
estou me apaixonando.
E eu não sei se vou conseguir me afastar depois
que eu me apaixonar completamente por você

3 minutos atrás

Você não vai dizer nada?

Eu estou pensando no que te dizer.

Não precisa dizer nada, só se despedir.
Gostei da nossa amizade nesses últimos meses... :)

É exatamente o contrário que eu queria te dizer.
Se fosse por estar se apaixonando eu teria que ter
parado de falar com você quando nos conhecemos.
Eu estava torcendo para você sentir o mesmo por mim
agora eu não encontro as palavras...

Eu sempre fui melhor com as palavras do que vc...
rs

hahahaha
verdade.

Então, deixa que eu falo.
Eu menti.
Eu não estou me apaixonando, eu estou completamente
apaixonado. Eu não consigo apagar seu sorriso da minha
cabeça e toda vez que fico online eu espero ver seu nome.
Então, será que você não quer jantar comigo na sexta para
conversarmos sobre isso?

Não posso mais esperar até sexta.

Nem eu. Estou passando na sua casa em 15 minutos.
 

2 meses atrás.

Oi, Pri, tudo bem?

Oi, tudo.

É o Carlos, da festa da Mari, lembra de mim? rs

Claro que lembro!

23 de Janeiro.

Carlos E Priscilla estão em um relacionamento sério.

O Cheiro do cloro

 O som das batidas de braço na piscina acalmava meus pensamentos, o pálido azul dos azulejos, ainda mais claros pela luz refletida em sua superfície, cegavam todas as minhas dúvidas. O ondular da água pelo movimento repetido dos nadadores faziam que as minhas preocupações fossem levadas embora.

De repente as braçadas sessaram, o ondular diminuiu e o pálido azul ficou ainda mais pálido com a luz da lua, ainda submerso pude observar as estrelas aparecendo e sendo refletidas pelas águas, agora calmas, da piscina.

O ar que ocupava meus pulmões estava se esvaindo vagarosamente, fazendo minha cabeça anuviar, as bolhas resultantes da minha expiração subiam lentamente diante de meus olhos, eu estava calmo como nunca estivera, meus problemas haviam desaparecidos, lavados pela braçada dos nadadores.

Emergi com um pulo, tomando um novo e fresco fôlego pelo ar do anoitecer, o vento frio tomou conta do meu rosto, meus cabelos e barba molhados faziam a água ainda escorrer sobre minha face vislumbrando o horizonte, em um mergulho eu estava curado. Em um mergulho estava novamente são e em uma braçada estava vivo novamente.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Enigma

A cada peça colocada sobre a superfície lisa a imagem se revelava um pouco mais, cada mistura indistinguível de cores se mostrava um complemento fundamental para o futuro daquelas peças quando unidas. A cada figura geométrica disforme encaixada com perfeição uma à outra, o futuro ficava cada vez mais claro.

A paisagem, cada vez mais nítida me dava a esperança de que aquele enigma seria recompensador em seu final, as peças brancas, com detalhes como flocos de neve, únicos de sua própria forma, deixavam claro que havia névoa sobre aquela imagem. As peças foram se encaixando até não terem mais forma distinta, mas ainda assim permaneciam soltas sobre a mesa.

Reparei no gazebo montado no fundo da imagem, os padrões coloridos, formando uma íris azul em um fundo branco, os olhos se revelaram, a partir dos olhos tudo ficou mais fácil, a boca, o nariz, o cabelo bem penteado e o vestido...

A névoa não era névoa, era um lindo vestido de noiva, emoldurando-a com a perfeição de um escultor em mármore, tamanha beleza não poderia ser descrita com palavras mundanas, as peças que sobraram mostravam um negro profundo, e o único espaço disponível era ao lado dela.

Montei as peças restantes, o terno bem alinhado de risca de giz revelava um homem sem face, as peças do rosto para sempre foram perdidas, e aquele quebra-cabeça nunca revelará quem seria seu verdadeiro noivo.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

À Primeira Dança.

Veio como um raio, caindo sobre minha cabeça, me deixando desnorteado e desorientado, ao despertar não tinha mais chão. Foi arrebatador, violento e emocional. Não consegui me livrar da imagem em minha cabeça. Os cabelos na altura do ombro, o batom rosa e o perfume ácido que emoldurava aquela peculiar beleza.

Nunca acreditei em amor a primeira vista, ou sempre me recusei a acreditar que acreditava, até me atingir, ao vê-la dançando naquele ambiente eu percebi o quanto sempre estive enganado, a alegria me contagiava, eu fiquei no bar, olhando enquanto ela recusava cada tentativa de aproximação de outras pessoas, preferindo ficar sozinha do que ter uma noite insignificante.

Me vi pensando nas chances que eu tinha, quase nenhuma. Preferi ficar com minha cerveja na mão e ouvindo as músicas que tocavam em alto volume, combinando os riffs das guitarras com a luz estroboscópica, que tornavam os movimentos dela mais lentos, e ainda assim, mais perfeitos. Não conseguia desviar meus olhos, e percebi que ela olhava em minha direção, provavelmente para alguém atrás de mim, como se eu fosse invisível.

Meus pés batiam no ritmo da música, como se pedissem para dançar, ela veio em minha direção e pegou em minha mão, sem falar uma palavra, e me puxou para o centro da pista. Os olhares dos outros homens que a abordaram olharam para a cena, como se invejassem, eu fiquei parado, sem reação, enquanto ela dançava em minha volta, se divertindo com minha cara de espanto. Continuei ali, parado, com minha cerveja na mão, observando-a de perto. As luzes acenderam, a música parou e ela se foi, sem dizer uma palavra.

Da mesma forma que começou, terminou. Do nada, no escuro da noite, nunca saberia seu nome, mas a amaria para sempre.

domingo, 19 de janeiro de 2014

Online

A vi em um site de relacionamento, reparei em seu sorriso e no seu olhar sonhador, os cabelos ao vento transmitiam, pela foto, uma felicidade ímpar de estar naquele lugar. Comecei a imaginar o dia dela, antes e depois de tirar aquela foto. O trajeto de carro, a escolha da roupa e o quanto que a pouca maquiagem influenciava na visão dos terceiros a sua volta, isso não importava, ela não precisava de maquiagem.

- Oi, Tudo bem?

- Oi, tudo, e você?

-Tudo bem.

-...

Eu não sabia como conduzir aquela conversa, a inabilidade social que me acompanhava pela vida me perseguia também pelo anonimato da internet. As escolhas das palavras transmitiriam o sucesso daquela conversa. Uma amizade? Possivelmente. Mas o quanto alguém estaria disposto a encontrar alguém que conheceu online? Poderíamos ser ambos identidades falsas, protegidas por um endereço IP. Qualquer palavra em falso poderia resultar em um desastre.

Pensei com cuidado nas minhas palavras, pensei como se escrevesse um poema, tentava rimar meus pensamentos para conduzir a conversa, uma prosa sem sentido certo mas com destino concreto. Fui eu mesmo, esperando que ela fosse ela mesma.

Trocamos mensagens, trocamos músicas e gostos, compartilhamos uma amizade, ainda que virtual. Meu preconceito de encontrar alguém online desaparecia a cada mensagem trocada. A cada vislumbre da pessoa real que se encontrava por trás do teclado do outro computador.

Combinamos de nos encontrar em uma festa, nunca tínhamos nos visto, mas a considerava uma das minhas amigas, talvez tivéssemos nos esbarrado antes, mas não nos reconhecemos, até que ela me viu, abriu um sorriso e me abraçou, a amizade não era mais virtual, era pessoal, e sabia que era uma pessoa que eu levaria sempre comigo.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Diversão

Dormi com os ouvidos zumbindo, os sons da noite anterior ainda ressoava em meus ouvidos, minha cama vazia convidava os dois corpos suados que estavam voltando de mais uma noite de diversão.

Qualquer motivação externa era apagada pela exaustão que se encontravam, ao se despirem só queriam o conforto de um banho quente e o frio do ar condicionado.

A água caindo sobre os corpos nus relaxava os músculos e despertava a libido. O colchão de casal os convidava para mais uma noite de segredos e sigilo entre os dois.

Não importava quem os ouvisse, o que importava era a intimidade dos dois.

Ao fim estavam suados novamente, mas não se importavam,  o sentimento fora retribuído e a noite divertida. Era o que importava, e no dia seguinte iriam por caminhos diferentes. Se divertiram, e era o que procuravam.

Sonho

Sonhei com ela novamente. Sonhei que tínhamos voltado, que estávamos bem. Sonhei que ela tinha aceitado meu pedido, que iríamos nos casar. Sonhei que estragava tudo de novo.

Engraçado como os sonhos funcionam. Uns acreditam que possam conter premonições, outros que são só imagens desconexas que nosso cérebro tenta dar sentido. Eu não sei.

Sonhei que voava e que caia, sonhei que morria, sonhei que o mundo acabaria. Pelo menos sonhei.

Meus sonhos são o retrato do que quero que aconteça.

Sonhei com ela novamente. Estraguei tudo, mesmo em sonhos.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Estrada



A estrada estava vazia, alguns carros passavam por nós, o sol a nossa esquerda projetava sombras que enquadravam o rosto dela, que olhava fixo no horizonte a nossa frente, os óculos escuros escondendo seus belos olhos verdes. As janelas abertas deixavam entrar o vento produzido pelo carro, o que fazia seus cabelos se agitarem, e, de alguma forma, pareciam perfeitamente penteados.

O mar batia fraco, escondendo o sol a cada onda um pouco maior, o rádio começa a tocar a nossa música, nos olhamos e sorrimos, os sons loucos do mundo a nossa volta nos fazia bem, um riff um pouco mais lento embalou nossa viagem em direção ao poente, o barulho das ondas entraram no ritmo da música, e o mundo desapareceu. Eramos só nós dois, o carro, o Sol e o mar.

Íamos em direção ao futuro.

Íamos em direção ao desconhecido.

Fui em direção a ela.

E seguiremos juntos, pelo resto de nossas vidas.



quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

O Outro lado do Rio


Vi o mar bater nas pedras do Arpoador, imaginando quantas lágrimas foram necessárias para salgar aquele mar. Vi surfistas dropando em ondas que não atingiam a altura suficiente e sorrindo pelo erro cometido. Vi crianças correndo e caindo, se levantando e voltando a correr, sorrindo.

Quando desaprendemos a sorrir quando caímos? Em que momento da nossa vida chorar se tornou a saída mais fácil? Olhamos o horizonte ao mar querendo esquecer o passado, mas esquecemos de vislumbrar o futuro. Mais uma lágrima escorria no meu queixo e caia nas pedras. Olhei para o lado e vi uma mulher fazendo o mesmo que eu, mas sorria ao chorar. Havia um brilho no olhar dela que me deixava intrigado.

Minhas lágrimas pararam de escorrer enquanto eu observava intrigado aquela nova figura sentada ao meu lado na pedra do Arpoador, sentindo os respingos das ondas e o vento que vinha do oceano, ela não parecia ter reparado que eu a observava e continuava sorrindo, olhando as estrelas aparecendo lentamente após o pôr do sol. Ela fungou forte, e por esse único segundo o sorriso desapareceu dos seus lábios e logo depois voltou a aparecer, como se nada tivesse acontecido. Voltei a encarar os surfistas com aquela imagem me intrigando.

Sinto algo quente na minha mão, algo que, de alguma maneira, me confortava e me dava segurança. Ela segurava minha mão e ainda olhava pra frente chorando e sorrindo, e eu comecei a sorrir enquanto chorava, comecei a perceber as estrelas se revelando por trás da poluição das luzes da cidade, vislumbrei o universo se formando enquanto ela segurava minha mão. Eu estava sorrindo novamente, e se dependesse dela, nunca mais pararia de sorrir.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Penhasco

Olhei para baixo, vi o rio cortando o desfiladeiro, as corredeiras deixavam a superfície branca da espuma que ficava na água ao bater nas pedras pontiagudas no fundo das águas geladas. O frio cortante do inverno tomou conta do meu estômago, vislumbrei a minha vida ao dar aquele passo, o ultimo passo em direção à morte.

Vi minha primeira namorada, o quanto doeu ter terminado.

Vi minha segunda namorada, a dor não diminuiu.

Vi minha família em volta da minha cama de hospital.

Vi meus amigos, bebendo um chopp em um fim de tarde.

 Então eu a vi, linda como a primeira vez, a camisa branca e calça de ginástica preta, os cabelos bem presos em um rabo de cavalo e pouca maquiagem, foi amor a primeira vista e eu, bobo como sempre fui, não consegui falar com ela. Voltava todo dia só para vê-la passar, até que tomei coragem e me apresentei. 2 semanas depois estávamos namorando, 1 ano depois casando.

Como que tudo isso me trouxe até aqui? Caindo em direção à morte certa.

Acordo completamente suado, os lençóis brancos transparentes de tanto suor, dou um salto em minha cama e não a vejo ao meu lado, olho para minhas mãos enrugadas e me lembro de que fazia 40 anos desde que nos casamos, que fazia 2 semanas desde que ela se fora, e chorei, de saudades.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Coragem

Fingi que não era comigo, que não devia explicações para ninguém, mas me enganei. Devia explicações a mim mesmo, como me tornara aquela pessoa?  Eu não me via fazendo o que fiz a 2 dias 3 meses atrás. Precisei de coragem. Coragem de porcentagem etílica e, de alguma forma, que me faltava.

Subi no precipício e saltei em direção ao infinito, em direção ao desconhecido e a incerteza tomou conta de mim, a minha atitude foi errada, foi certa, foi atrasada. Minha vida pessoal vira mais um filme de Woody Allen, e não é um com final feliz, é melancólico, mas que me fez pensar na vida.

Quebro a quarta parede e me dirijo ao público, pinto à aquarela o poster e, pela primeira vez, estou visando o futuro, em vez do passado.

Ressaca

A luz do sol o acordou, causando um frenesi de sensações que faziam sua cabeça girar como um pião em um turbilhão sensorial. Ao abrir os olhos enxergou a claridade repentina invadir suas retinas, o inferno branco que o atingiu o fez piscar cada vez mais, até se acostumar com a claridade, o telefone tocando ao seu lado o fazia se lembrar do barulho ensurdecedor da noite anterior.

No travesseiro, a marca de suor de sua nuca, e os respingos que caíram de sua testa quando ele se levantou. A boca, seca como o deserto, implorava por água. E a cabeça pulsava a cada batida de seu coração. Seus olhos começaram a se acostumar com os novos estímulos e o alarme do celular parara de tocar.

Olhou para a cama e a viu, deitada de costas para ele, com os cabelos loiros despenteados, espalhados pelo travesseiro, as costas arqueadas com suas pernas curvadas para trás, o cobertor tapava só o suficiente, ela se virou na cama e ele viu seu batom roxo, ela começou a abrir os olhos, revelando seu esmalte azul ao coçar o olho com graça magistral, ao vê-lo ela sorriu, "bom dia." ela disse, e o coração dele pulou uma batida, não sentia mais sede, não sentia mais a cabeça latejar e o sol era uma bênção para ele naquele momento. Sorriu e respondeu, "Bom Dia...".

Daquele dia em diante, ele nunca mais teve uma ressaca que não fosse curado pelo sorriso dela.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Noite



O som das caixas acústicas o ensurdeciam, batiam em um ritmo constante com uma progressão nítida, podia-se chamar "música". O vapor alcoólico exalado pelas pessoas amontoadas naquele espaço minúsculo era o suficiente para deixa-lo embriagado e as luzes piscando foram o suficiente para ter alucinações. Precisava respirar.

Saiu daquele pequeno espaço em direção a área de fumantes, mesmo com toda a nicotina era mais fácil de respirar do que dentro do clube. Pegou a cerveja que estava esquentando em sua mão e deu uma golada. Olhou em volta, tentando reconhecer algum rosto familiar, sem sucesso.

Uma mulher se aproxima com um cigarro entre os dedos, as unhas pintadas de azul escuro e um batom roxo envolvendo os lábios pequenos.

- Tem fogo?

Pegou o isqueiro de dentro do bolso e acendeu o cigarro dela, e via suas pupilas dilatarem ao receber aquela dose direta de nicotina. A marca do batom ficou em volta do cigarro e o sorriso amarelo daquela jovem se mostrou sincero.

- Valeu. - deu mais uma tragada. - Tá sozinho, cara?

- Na verdade vim com um amigo, mas ele tá com a namorada lá dentro e eu fiquei na pista.

- Vacilo. Eu tô com umas amigas ali no canto, quer ficar ali com a gente?

- Tudo bem, não quero atrapalhar.

- Ih, cara, relaxa, pelo menos tu não fica sozinho.

Aceitou, meio embaraçado, e foi em direção a um grupo de mulheres que riam alto, se apresentaram e continuaram a conversar. Ele ficou quieto a maioria da conversa, apenas fazendo comentários que achava engraçado no momento apropriado, todas riam de suas piadas, por mais idiotas que fossem, menos a que lhe pedira fogo. Ela sorria contidamente, mostrando que tinha sido a que menos bebera, mas ainda assim parecia se divertir.

As 5 da manhã todos já estavam saindo, ela e as amigas aparentavam cansaço e ele um pouco de sono. Ela se aproximou novamente.

- Tá de carro?

- Tô sim, precisam de uma carona?

- Minhas amigas moram aqui perto, e a casa ficou cheia, eu vou ter que esperar o ônibus...

- Não, eu te dou uma carona, faço questão.

Ela morava perto dele, a cerca de 20 minutos da festa, ele a deixou na porta de casa e ela ficou olhando para os olhos dele.

- Me diz uma coisa, por que você não chegou em mim?

- Bom... - Ele ficou vermelho - É que eu não tenho o menor jeito para isso. Eu gosto de conhecer a pessoa antes.

- E agora que você me conhece, e sabe onde eu moro. Por que ainda não me beijou?

Ele segurou sua bochecha carinhosamente e se aproximou dela, beijou-a suavemente nos lábios e ela retribuiu. Ficaram 2 minutos ali, dentro do carro se beijando. Ela abriu a porta e saiu correndo abrindo o portão do prédio. Ele ficou ali, sem entender nada enquanto ela sorria, entrando no prédio e olhando para trás sorrindo para ele.

Percebeu um pedaço de papel no banco do carona com um número de telefone, discou para o número anotado e ouviu a voz dela no outro lado da linha.

- Sabia que você era do tipo que ligava logo depois.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Ira



O sangue pingava dos nós dos dedos, cerrados em um punho violento, a mão direita estava toda cortada e a esquerda apoiava o peso do tronco na pia do banheiro. O espelho recém quebrado refletia 7 imagens diferentes  do mesmo rosto. A marca do punho estava centralizada nas rachaduras, apresentando vários cacos de vidro que refletiam pequenos feixes de luz.

Não reparou na dor, na angústia ou no sangue que pingava em seus sapatos caros. Estava com raiva, precisava estragar algo belo. O espelho, dentro da moldura dourada, era o alvo perfeito para aquele momento. Não derramou uma lágrima. Não esboçou uma cara de dor. E mesmo assim estava exausto. A respiração ofegante contrastando com seu terno e seguia o mesmo ritmo do suor que pingava de sua testa. Um soco. Tudo que foi necessário fora um soco.

Olhou para a mão ensanguentada e o sapato já manchado de sangue, lavou a mão e arrumou a gravata, mas as marcas do vidro estavam bem visíveis, não havia como disfarçar o que havia acontecido, ainda não sentia a dor na mão e nem iria sentir, pegou o anel de noivado no bolso, olhou para ele e ficou com raiva mais uma vez, deixou a caixa em cima da pia do banheiro do restaurante e saiu. Ela já não estava mais na mesa, nem em sua vida. Pegou o carro e foi para casa. Deitou-se ainda com o terno e dormiu. Não sentia mais sua mão sangrar, não sentia mais o anel em seu bolso, só sentia o vazio do abandono e se entregou a Morpheus, não querendo sentir mais nada.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Feio

Olhou-se no espelho e não reconheceu a face que encarava, percebia as cicatrizes que manchavam o rosto e as marcas de queimadura ácida que tornavam sua face disforme em mais um emaranhado de carne do que o encarava. Cada cicatriz representava um erro que havia cometido, cada queimadura um amor que decepcionou, e hoje estava feio. Quis chorar, mas seus olhos não expressavam emoções. Quis gritar, mas sua boca fora soldada. Quis correr, mas a hipnose era tão forte que ficou paralisado com a feiura que o encarava de volta.

Lembrou-se de todas as vezes que decepcionou alguém. Lembrou-se da forma que tratava as pessoas. Lembrou-se que decepcionara todas as pessoas que passaram pela sua vida. Olhou para suas mãos e as viu normais, seus pés estavam do mesmo jeito, mas sua face ainda estava feia. Passou as mãos pelo rosto e não sentiu as marcas que a vida deixou em seu rosto, mas ainda as via no espelho.

Caiu de joelhos, com a mão no peito. Seu coração disparara e não havia mais ar em seus pulmões. O arrependimento fora tão grande que seu corpo não suportou. Morreu, sozinho como viveu. Triste como deixou muitos. Feio como sempre fora.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Depressão



Os meus olhos secaram, não consigo mais chorar. Minha boca não produz mais saliva e minha garganta não aguenta mais empurrar comida para meu estômago, que se embrulha a cada mordida que dou em um pão velho que achei jogado na mesa do meu apartamento. O sol do verão castiga minhas retinas, querendo somente o sombrio noturno e a escuridão de minha mente.

Fico com vontade de me embriagar toda hora, e talvez assim possa esquecer. Eu quero, mais do que tudo, esquecer o que fiz a você. Quero esquecer que te conheci. "Os momentos bons ficam", dizem, mas e quando não consigo pensar em "momentos bons"? Tivemos conversas, tivemos fases, mas a verdade é que não tivemos um relacionamento. Me precipitei, nos precipitamos. Eu confiava em você, você não confiava em mim. Tudo bem, acharei alguém que confie. Pode demorar anos, não estou com pressa.

Meus amigos, há, amigos...

A verdade é que sou mais um peso no mundo. Um peso morto que continua a respirar. O fim será as cinzas. O fundo do poço é só o primeiro passo para a subida, e admitir que não tem mais como descer é o primeiro degrau.

A tempestade passará, a sobriedade ficará, e a vida, um dia, terminará.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Olheiras

Abri os olhos novamente naquela noite, o dia foi longo e cansativo, mas mesmo assim não consegui dormir.

Vesti-me e fui para o bar, na esquina do meu apartamento, olhei o relógio projetado no espelho do elevador marcando 3:25, vi minhas olheiras no espelho e reparei em minha barba mais grossa do que o costume, completamente despenteada.

O bar estava vazio aquele horário, alguns bêbados e alguns casais terminando a noite, sentei-me na mesa no canto do bar, e pedi uma cerveja.

Observei a porta do bar durante 15 minutos e a vi entrar.

As roupas eram despojadas, ela não estava voltando de uma balada. Os cabelos estavam penteados em um rabo de cavalo, com uma franja caindo pelo lado direito do rosto. Pediu uma cerveja e sentou-se no balcão. pegou a garrafa long neck com dois dedos e levou-os até os lábios delicados, bebeu um gole da cerveja e depositou a garrafa de volta à bolacha.

Me levantei, e me dirigi em direção ao balcão, sentei-me ao lado dela, "Noite longa?", ela me olhou com os olhos cansados e vermelhos, "Pois é, não consegui dormir", reparei nas olheiras sob os olhos dela, como marcas de guerra como as minhas, "Problemas com o namorado?", "Quem dera. Meu trabalho me tira o sono.", "Sei como é, não consigo parar de pensar no projeto em que estou trabalhando. As vezes eu só queria tomar uma cerveja e esquecer isso tudo...", "Eu também, mas, parece que a minha já está terminando e a sua já terminou..." completou acabando com a garrafa de cerveja em um ultimo gole. Pedi mais duas. "As vezes, penso que a cidade inteira dorme enquanto estou acordado. Gosto de olhar pela janela e perceber as poucas luzes acessas e imagino se eles pensam a mesma coisa que eu...", "Será que eles estão tão sozinhos quanto eu...", ela completou, bebendo mais um pouco da cerveja recém aberta. "Exatamente."

Ficamos ali, sentados em silêncio até o fim de nossas cervejas, nos levantamos e nos despedimos, não trocamos mais uma palavra, ela foi para um lado, eu segui em frente.

No dia seguinte, as 3:30 voltei para o bar e a vi sentada no bar com 2 garrafas de cerveja ainda geladas. "Pensei que você não apareceria hoje".

5 segundos.

Olhos azuis, cabelos dourados.
Olhos negros, cabelos castanhos.
Seios fartos, lábios finos.
Seios perfeitos, lábios doces.
Cheiro adocicado, e sorriso delicado.
Gargalhada estrondosa com um sorriso contido.
E tudo que penso é em voltar pra casa.
A música, alta em meus ouvidos, não me deixa esquecer daqueles cabelos ruivos, molhados na piscina no ano novo.
Se tudo pudesse ser, como aqueles 5 segundos, eu seria mais feliz.
Se tudo for, como os próximos 5 segundos, morrerei feliz.
E 5 segundos é tudo que preciso, para te deixar feliz.

Palavras

Escrevi uma carta, ela começava bem, terminava mal, manchada com minhas lágrimas. A tinta da caneta borrava a cada vírgula que pontuava a dor que eu sentia. Que cara antiquado sou eu, escrevi uma carta.

Escrevi o que sentia, e o que queria sentir. Escrevi mais uma vez como que seria se você não tivesse partido. Escrevi de novo para não esquecer e guardei em um envelope, não selei, não coloquei seu nome e não pensei em te entregar.

Todas as minhas palavras não foram desperdiçadas, simplesmente moldaram o livro que me tornei, suas palavras ainda estão grifadas em um capítulo em minha biografia, todas elas. Mais palavras virão e esculpirão a capa de couro do meu caráter, cada uma delas.

Coloquei a carta em seu túmulo. Sentirei sua falta.

Flores Partidas

Toda poesia é falsa.
Todo sentimento acaba e toda flor murcha.
Todo absolutismo é falho e toda unanimidade é burra.
Tudo que digo é mentira e não deve ser acreditada.
Tudo que escrevo é verdade e deve ser levada em conta.
Tudo que sinto foi expressado.
Tudo que senti foi revisto.
Tudo que sentirei está em aberto.
Todos somos flores partidas, com pétalas ao vento.
Nada volta.
Tudo parte.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

O fim.

Terminar parece ser o fim do mundo,  pelo menos pra mim foi. Um ano tentando seguir com minha vida e sendo incapaz,  ainda existia amor de minha parte. Não há mais.

Me peguei embarcando em um ônibus para uma cidade que odeio, onde ela morava, e não quero vê-lá, não quero voltar, não mais.

Todo o fim é o início de algo, e espero que meu inicio seja promissor. Vou exorcizar meus demônios,  lavar a alma e encaminhar o futuro. Não que o futuro seja certo, mas prefiro a certeza de um futuro Incerto do que a incerteza de. Futuro.

(nota do autor: essa não conta como a crônica de hoje, eu só precisava de um espaço para escrever)

Impacto

O choque foi intencional,  não havia como escapar de uma colisão vinda de tão perto, um impacto tão sutil que não deve ter sido percebido por ninguém além dos dois.

Eu a olhei, com a admiração de quem conhece uma nova pessoa, ela retribuiu meu olhar,  com uma certeza que nunca me esquecerei. Paguei uma bebida, sentamos em uma mesa e começamos a conversar.

Ela cursava jornalismo, e eu engenharia.
Ela gostava de romances, eu ficção.
Ela gostava de samba, eu de rock.

Não tínhamos nada em comum e,  mesmo assim, não queríamos sair um do lado do outro. Chamei um táxi,  fui leva-la em casa, pedi pro taxista esperar e paguei a corrida. Ele foi embora. Fiquei olhando ele ir e ouvindo ela rir, olhei sem graça enquanto ela ria,  "não quer subir?", e foi aí que começou. Vi que não teria mais como desviar, vi que era mútuo e vi que não queria ir.

Peguei em sua mão e disse "se eu subir, não vou querer nunca mais sair", ela sorriu e me sussurrou, "quem disse que eu ia deixar?".

E a colisão de nossos lábios veio com o barulho da colisão de universos,  inaudível para todos menos nós. E nossos mundos se uniram, para nunca mais serem separados.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

A Tempestade

A água escorre sobre as ruas e esconde sob a tormenta as lágrimas de quem chorou na noite anterior.

Hoje o sol brilha novamente, ignorando completamente a dor dos que um dia se apaixonaram.

A tempestade que caiu na noite anterior foi um prenúncio do fim, do fim da dor, do fim do desespero e do fim de um ano. O ano acabou, assim como o próximo também acabará, não existe um dia que não venha após o outro.

Alguns bebem, outros ignoram, eu escrevo.

Escrevo para esconder a tempestade em minha cabeça e revelá-la de uma forma verborrágica os sentimentos.

Escrever é para muitos, entender é para poucos, morrer é para todos.

Nunca fui bom em conjugar o verbo "amar", um dia amei, amarei novamente, espero, mas sempre fui bom em conjugar o verbo "esquecer", ainda não esqueci. Mas esquecerei.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Lágrimas


Fui dormir chorando, pensando nela, como muitas vezes esse ano. Eu achei que estaríamos melhor cada um com sua vida, pelo menos ela parece feliz...

Pego o telefone e vejo o número dela na minha agenda, quero discar, mas não encontro as palavras para justificar minha ligação.

“Parabéns pela formatura”, era uma oportunidade que não consegui encontrar a coragem de falar com ela, e a vontade de ouvir sua voz era muito grande e eu não seguraria minhas lágrimas

“Feliz Natal”, eu daria tudo no mundo para ouvir ela dizer isso pra mim.

E no ano novo tudo se intensifica, a vontade de tê-la em meus braços em um abraço é insuportável, mas eu estraguei tudo. Deixei um ano passar. E ela parece feliz, sem mim.
Triste destino de quem nasceu gostando de Shakespeare, viver em uma comédia de erros, onde ninguém termina com quem se apaixonara. A Maldição de Demétrio que amava Hérmia que amava Lisandro que a amava. Já fui Lisandro, hoje sou Demétrio.


Chorei de saudades, chorei de amor, se minhas lágrimas fossem pérolas, estaria rico. Se minhas lágrimas fossem de ácido, estaria cego. E, mesmo assim, se ela voltasse, choraria tudo de novo.