sábado, 11 de janeiro de 2014

Noite



O som das caixas acústicas o ensurdeciam, batiam em um ritmo constante com uma progressão nítida, podia-se chamar "música". O vapor alcoólico exalado pelas pessoas amontoadas naquele espaço minúsculo era o suficiente para deixa-lo embriagado e as luzes piscando foram o suficiente para ter alucinações. Precisava respirar.

Saiu daquele pequeno espaço em direção a área de fumantes, mesmo com toda a nicotina era mais fácil de respirar do que dentro do clube. Pegou a cerveja que estava esquentando em sua mão e deu uma golada. Olhou em volta, tentando reconhecer algum rosto familiar, sem sucesso.

Uma mulher se aproxima com um cigarro entre os dedos, as unhas pintadas de azul escuro e um batom roxo envolvendo os lábios pequenos.

- Tem fogo?

Pegou o isqueiro de dentro do bolso e acendeu o cigarro dela, e via suas pupilas dilatarem ao receber aquela dose direta de nicotina. A marca do batom ficou em volta do cigarro e o sorriso amarelo daquela jovem se mostrou sincero.

- Valeu. - deu mais uma tragada. - Tá sozinho, cara?

- Na verdade vim com um amigo, mas ele tá com a namorada lá dentro e eu fiquei na pista.

- Vacilo. Eu tô com umas amigas ali no canto, quer ficar ali com a gente?

- Tudo bem, não quero atrapalhar.

- Ih, cara, relaxa, pelo menos tu não fica sozinho.

Aceitou, meio embaraçado, e foi em direção a um grupo de mulheres que riam alto, se apresentaram e continuaram a conversar. Ele ficou quieto a maioria da conversa, apenas fazendo comentários que achava engraçado no momento apropriado, todas riam de suas piadas, por mais idiotas que fossem, menos a que lhe pedira fogo. Ela sorria contidamente, mostrando que tinha sido a que menos bebera, mas ainda assim parecia se divertir.

As 5 da manhã todos já estavam saindo, ela e as amigas aparentavam cansaço e ele um pouco de sono. Ela se aproximou novamente.

- Tá de carro?

- Tô sim, precisam de uma carona?

- Minhas amigas moram aqui perto, e a casa ficou cheia, eu vou ter que esperar o ônibus...

- Não, eu te dou uma carona, faço questão.

Ela morava perto dele, a cerca de 20 minutos da festa, ele a deixou na porta de casa e ela ficou olhando para os olhos dele.

- Me diz uma coisa, por que você não chegou em mim?

- Bom... - Ele ficou vermelho - É que eu não tenho o menor jeito para isso. Eu gosto de conhecer a pessoa antes.

- E agora que você me conhece, e sabe onde eu moro. Por que ainda não me beijou?

Ele segurou sua bochecha carinhosamente e se aproximou dela, beijou-a suavemente nos lábios e ela retribuiu. Ficaram 2 minutos ali, dentro do carro se beijando. Ela abriu a porta e saiu correndo abrindo o portão do prédio. Ele ficou ali, sem entender nada enquanto ela sorria, entrando no prédio e olhando para trás sorrindo para ele.

Percebeu um pedaço de papel no banco do carona com um número de telefone, discou para o número anotado e ouviu a voz dela no outro lado da linha.

- Sabia que você era do tipo que ligava logo depois.

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