A falta que você faz na minha cama é cada vez mais perceptível, ao me revirar por não conseguir dormir, procuro o seu corpo para me dar conforto em mais uma noite. Ao ver que você não está, volto a me revirar, encarando a parede do lado contrário do seu, só para tentar esquecer novamente a falta que sinto de você.
O cheiro do seu perfume ainda está no travesseiro, que me recuso a lavar. Horas ainda acho seu cabelo na pia do meu banheiro, um fio solitário pendurado ao lado da torneira, e ali permanecerá se depender de mim. A marca do seu corpo está no colchão, ainda que raso, ainda consigo sentir sua silhueta se passar a mão com atenção o suficiente, como um cego lendo o braile das suas cartas de amor.
As noites mal dormidas me fazem te ver a cada virada de olho em uma esquina, em cada olho bem pintado, em estranhos na rua, me lembro dos seus olhos de cigana. A cada linha de um livro de Caio Fernando Abreu lembro das suas palavras, e a cada cigarro, lembro quando me pedia um trago, me devolvendo ele pela metade com a marca do seu batom.
Me revirei de novo na cama, olhei o relógio, 4:45, abracei o seu travesseiro como toda noite, e pude sentir seu cheiro. O aroma doce do seu shampoo me acalmou, o cítrico do seu perfume me despertou lembranças e imaginei seu toque enquanto abraçava o travesseiro.
Uma única lágrima escorreu do meu olho, sentindo a sua falta, não sei quando voltará, mas seu travesseiro estará lhe esperando, assim como meu peito, para que possa descansar seus pensamentos e transcender seus sonhos.
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