Acordei sem querer acordar, queria ficar no vazio da minha mente por toda a eternidade, as drogas que tomei na noite anterior não foram o suficiente para me deixar dormir, e não quero mais ficar acordado. Não sinto fome, não sinto sede, não sinto mais nada. Sinto meus membros entorpecidos, mas minha mente ainda ativa, meus olhos se mexiam, mas meus lábios não. Tentei falar, não consegui. Tentei me mover, não consegui. Acordei em um caixão.
Vi meu funeral, com o medo de ser enterrado vivo, revivi todos os meus pesadelos mais vívidos, a morte não veio personificada de um ceifador, como os filmes me sugeriam, veio personificado do rosto inchado de minha mãe. Aquela cena me deixou extremamente perturbado, tentei gritar, avisar que estava vivo, avisar que meu coração ainda batia.
Era tarde demais. Eu não estava mais vivo, minha alma estava vendo meu enterro, a morte, e sua verdadeira face, estavam do meu lado. Era uma face bela, a mais bela que eu poderia imaginar, talvez fosse esse o conforto da morte, ver a verdadeira beleza do mundo antes de ir para sempre.
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