segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Incógnita

Os olhos confiantes demonstravam a certeza do que queria, o sorriso branco mostrava a esperança do futuro. O copo de cerveja na mão, meio vazio, exibia a marca de batom deixada na beirada. Fiquei encarado aqueles olhos meio puxados, emoldurados por um lápis preto bem feito, me lembrando a imagem de Cleópatra.

O mistério por trás do sorriso de Mona Lisa não é capaz de de se igualar ao mistério por trás daquele olhar, o brilho no canto direito de seu olho esquerdo me revela que existe algo a mais para ser explorado, o resto de colarinho que ficou em sua boca me deixou com inveja de estar tão próximo de seu doce e a marca de batom no copo ainda me fazia imaginar qual o seu gosto.

Ela repousou a mão sobre a mesa, revelando as unhas bem pintadas, coloquei minha mão sobre a dela e senti o toque de seda que aquelas pequenas mãos possuíam, não queria larga-las, não queria deixar de sentir a pele dela em contato com a minha, o calor que ela possuía acalmava minhas mãos trêmulas de ansiedade. Ela virou a mão como se me convidasse para apertá-la, segurei-a com todo a delicadeza que minhas brutas mãos foram capazes, os dedos dela se fecharam sobre as costas de minha mão em um aperto seguro, e ela ainda sorria.

 Prometi a mim mesmo jamais largar aquela mão, prometi a ela que a protegeria, prometi ao mundo que nada nos machucaria e prometi a todos os deuses egípcios que cobra alguma nos alcançaria.

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