segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Ressaca

A luz do sol o acordou, causando um frenesi de sensações que faziam sua cabeça girar como um pião em um turbilhão sensorial. Ao abrir os olhos enxergou a claridade repentina invadir suas retinas, o inferno branco que o atingiu o fez piscar cada vez mais, até se acostumar com a claridade, o telefone tocando ao seu lado o fazia se lembrar do barulho ensurdecedor da noite anterior.

No travesseiro, a marca de suor de sua nuca, e os respingos que caíram de sua testa quando ele se levantou. A boca, seca como o deserto, implorava por água. E a cabeça pulsava a cada batida de seu coração. Seus olhos começaram a se acostumar com os novos estímulos e o alarme do celular parara de tocar.

Olhou para a cama e a viu, deitada de costas para ele, com os cabelos loiros despenteados, espalhados pelo travesseiro, as costas arqueadas com suas pernas curvadas para trás, o cobertor tapava só o suficiente, ela se virou na cama e ele viu seu batom roxo, ela começou a abrir os olhos, revelando seu esmalte azul ao coçar o olho com graça magistral, ao vê-lo ela sorriu, "bom dia." ela disse, e o coração dele pulou uma batida, não sentia mais sede, não sentia mais a cabeça latejar e o sol era uma bênção para ele naquele momento. Sorriu e respondeu, "Bom Dia...".

Daquele dia em diante, ele nunca mais teve uma ressaca que não fosse curado pelo sorriso dela.

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