quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
O Outro lado do Rio
Vi o mar bater nas pedras do Arpoador, imaginando quantas lágrimas foram necessárias para salgar aquele mar. Vi surfistas dropando em ondas que não atingiam a altura suficiente e sorrindo pelo erro cometido. Vi crianças correndo e caindo, se levantando e voltando a correr, sorrindo.
Quando desaprendemos a sorrir quando caímos? Em que momento da nossa vida chorar se tornou a saída mais fácil? Olhamos o horizonte ao mar querendo esquecer o passado, mas esquecemos de vislumbrar o futuro. Mais uma lágrima escorria no meu queixo e caia nas pedras. Olhei para o lado e vi uma mulher fazendo o mesmo que eu, mas sorria ao chorar. Havia um brilho no olhar dela que me deixava intrigado.
Minhas lágrimas pararam de escorrer enquanto eu observava intrigado aquela nova figura sentada ao meu lado na pedra do Arpoador, sentindo os respingos das ondas e o vento que vinha do oceano, ela não parecia ter reparado que eu a observava e continuava sorrindo, olhando as estrelas aparecendo lentamente após o pôr do sol. Ela fungou forte, e por esse único segundo o sorriso desapareceu dos seus lábios e logo depois voltou a aparecer, como se nada tivesse acontecido. Voltei a encarar os surfistas com aquela imagem me intrigando.
Sinto algo quente na minha mão, algo que, de alguma maneira, me confortava e me dava segurança. Ela segurava minha mão e ainda olhava pra frente chorando e sorrindo, e eu comecei a sorrir enquanto chorava, comecei a perceber as estrelas se revelando por trás da poluição das luzes da cidade, vislumbrei o universo se formando enquanto ela segurava minha mão. Eu estava sorrindo novamente, e se dependesse dela, nunca mais pararia de sorrir.
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