Veio como um raio, caindo sobre minha cabeça, me deixando desnorteado e desorientado, ao despertar não tinha mais chão. Foi arrebatador, violento e emocional. Não consegui me livrar da imagem em minha cabeça. Os cabelos na altura do ombro, o batom rosa e o perfume ácido que emoldurava aquela peculiar beleza.
Nunca acreditei em amor a primeira vista, ou sempre me recusei a acreditar que acreditava, até me atingir, ao vê-la dançando naquele ambiente eu percebi o quanto sempre estive enganado, a alegria me contagiava, eu fiquei no bar, olhando enquanto ela recusava cada tentativa de aproximação de outras pessoas, preferindo ficar sozinha do que ter uma noite insignificante.
Me vi pensando nas chances que eu tinha, quase nenhuma. Preferi ficar com minha cerveja na mão e ouvindo as músicas que tocavam em alto volume, combinando os riffs das guitarras com a luz estroboscópica, que tornavam os movimentos dela mais lentos, e ainda assim, mais perfeitos. Não conseguia desviar meus olhos, e percebi que ela olhava em minha direção, provavelmente para alguém atrás de mim, como se eu fosse invisível.
Meus pés batiam no ritmo da música, como se pedissem para dançar, ela veio em minha direção e pegou em minha mão, sem falar uma palavra, e me puxou para o centro da pista. Os olhares dos outros homens que a abordaram olharam para a cena, como se invejassem, eu fiquei parado, sem reação, enquanto ela dançava em minha volta, se divertindo com minha cara de espanto. Continuei ali, parado, com minha cerveja na mão, observando-a de perto. As luzes acenderam, a música parou e ela se foi, sem dizer uma palavra.
Da mesma forma que começou, terminou. Do nada, no escuro da noite, nunca saberia seu nome, mas a amaria para sempre.
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