A cada peça colocada sobre a superfície lisa a imagem se revelava um pouco mais, cada mistura indistinguível de cores se mostrava um complemento fundamental para o futuro daquelas peças quando unidas. A cada figura geométrica disforme encaixada com perfeição uma à outra, o futuro ficava cada vez mais claro.
A paisagem, cada vez mais nítida me dava a esperança de que aquele enigma seria recompensador em seu final, as peças brancas, com detalhes como flocos de neve, únicos de sua própria forma, deixavam claro que havia névoa sobre aquela imagem. As peças foram se encaixando até não terem mais forma distinta, mas ainda assim permaneciam soltas sobre a mesa.
Reparei no gazebo montado no fundo da imagem, os padrões coloridos, formando uma íris azul em um fundo branco, os olhos se revelaram, a partir dos olhos tudo ficou mais fácil, a boca, o nariz, o cabelo bem penteado e o vestido...
A névoa não era névoa, era um lindo vestido de noiva, emoldurando-a com a perfeição de um escultor em mármore, tamanha beleza não poderia ser descrita com palavras mundanas, as peças que sobraram mostravam um negro profundo, e o único espaço disponível era ao lado dela.
Montei as peças restantes, o terno bem alinhado de risca de giz revelava um homem sem face, as peças do rosto para sempre foram perdidas, e aquele quebra-cabeça nunca revelará quem seria seu verdadeiro noivo.
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