sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Impacto

O choque foi intencional,  não havia como escapar de uma colisão vinda de tão perto, um impacto tão sutil que não deve ter sido percebido por ninguém além dos dois.

Eu a olhei, com a admiração de quem conhece uma nova pessoa, ela retribuiu meu olhar,  com uma certeza que nunca me esquecerei. Paguei uma bebida, sentamos em uma mesa e começamos a conversar.

Ela cursava jornalismo, e eu engenharia.
Ela gostava de romances, eu ficção.
Ela gostava de samba, eu de rock.

Não tínhamos nada em comum e,  mesmo assim, não queríamos sair um do lado do outro. Chamei um táxi,  fui leva-la em casa, pedi pro taxista esperar e paguei a corrida. Ele foi embora. Fiquei olhando ele ir e ouvindo ela rir, olhei sem graça enquanto ela ria,  "não quer subir?", e foi aí que começou. Vi que não teria mais como desviar, vi que era mútuo e vi que não queria ir.

Peguei em sua mão e disse "se eu subir, não vou querer nunca mais sair", ela sorriu e me sussurrou, "quem disse que eu ia deixar?".

E a colisão de nossos lábios veio com o barulho da colisão de universos,  inaudível para todos menos nós. E nossos mundos se uniram, para nunca mais serem separados.

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