domingo, 19 de janeiro de 2014

Online

A vi em um site de relacionamento, reparei em seu sorriso e no seu olhar sonhador, os cabelos ao vento transmitiam, pela foto, uma felicidade ímpar de estar naquele lugar. Comecei a imaginar o dia dela, antes e depois de tirar aquela foto. O trajeto de carro, a escolha da roupa e o quanto que a pouca maquiagem influenciava na visão dos terceiros a sua volta, isso não importava, ela não precisava de maquiagem.

- Oi, Tudo bem?

- Oi, tudo, e você?

-Tudo bem.

-...

Eu não sabia como conduzir aquela conversa, a inabilidade social que me acompanhava pela vida me perseguia também pelo anonimato da internet. As escolhas das palavras transmitiriam o sucesso daquela conversa. Uma amizade? Possivelmente. Mas o quanto alguém estaria disposto a encontrar alguém que conheceu online? Poderíamos ser ambos identidades falsas, protegidas por um endereço IP. Qualquer palavra em falso poderia resultar em um desastre.

Pensei com cuidado nas minhas palavras, pensei como se escrevesse um poema, tentava rimar meus pensamentos para conduzir a conversa, uma prosa sem sentido certo mas com destino concreto. Fui eu mesmo, esperando que ela fosse ela mesma.

Trocamos mensagens, trocamos músicas e gostos, compartilhamos uma amizade, ainda que virtual. Meu preconceito de encontrar alguém online desaparecia a cada mensagem trocada. A cada vislumbre da pessoa real que se encontrava por trás do teclado do outro computador.

Combinamos de nos encontrar em uma festa, nunca tínhamos nos visto, mas a considerava uma das minhas amigas, talvez tivéssemos nos esbarrado antes, mas não nos reconhecemos, até que ela me viu, abriu um sorriso e me abraçou, a amizade não era mais virtual, era pessoal, e sabia que era uma pessoa que eu levaria sempre comigo.

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